|
O que faltou em detalhes no depoimento concedido à CPI dos
Correios pelo advogado e consultor Joel Santos Filho, sobrou na descrição que o
auto-intitulado consultor da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Arlindo Gerardo
Molina Gonçalves, fez para os parlamentares a respeito do encontro que teve com
o deputado Roberto Jefferson (RJ). Esse encontro teria motivado o ex-presidente
do PTB a acusar Molina de tentar extorqui-lo. O segundo depoente do dia à
comissão parlamentar mista de inquérito que investiga denúncias de corrupção na
Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos negou qualquer tentativa de
chantagem.
Molina contou aos deputados e senadores que, quando agendou
uma audiência com Roberto Jefferson, não sabia da existência da fita que flagrou
o funcionário dos Correios, Maurício Marinho, embolsando R$ 3 mil e detalhando
um suposto esquema de corrupção na empresa, que teria como um dos beneficiários
o próprio deputado federal e até então presidente do PTB.
O encontro no gabinete de Roberto Jefferson teria ocorrido
no dia 3 de maio, segundo Molina - sobre quem a FGV encaminhou documento à CPI
negando que ele seja consultor da fundação. Antes de se dirigir à Câmara, ele
passou no gabinete do senador Ney Suassuna (PMDB-PB), com quem teria conversado
na semana anterior. O parlamentar paraibano tinha prometido ligar para Jefferson
para reforçar o pedido de audiência de Molina.
No dia 3, Molina não teria visto o senador. O próprio
Suassuna confirmou a história contada por Molina. Ele lembrou que, no único
encontro que teve com o consultor - que chegou a ser citado pela imprensa como
comandante e militar reformado da Marinha, embora a única ligação que teve com
aquela Força Armada tenha sido a de ter sido instrutor de um curso na
instituição -, este o procurou para falar sobre uma possível aproximação
política entre o PMDB e o PTB em Belém (PA), para cuja prefeitura estaria
trabalhando, e também de um projeto que poderia necessitar da aprovação do
Senado para financiamento externo.
Especificamente sobre o encontro com Jefferson, Molina
garantiu ter sido recebido pelo deputado ao lado de um assessor de Suassuna, que
teria ido com ele. Arlindo Molina contou que ficou a sós com Roberto Jefferson
apenas no momento em que estavam saindo da sala.
Na ocasião, Molina teria dito a Roberto Jefferson que tomou
conhecimento de que "explodiria uma bomba atômica nos Correios", que um tal de
Marinho teria sido filmado recebendo dinheiro e que teria falado sobre o
envolvimento do deputado e de seu genro Marcus Vinicius Vasconcelos Ferreira, em
atos de corrupção. O deputado teria respondido que não conhecia Marinho, que era
caso para demissão e que não poderia fazer nada. |