Os procuradores da República no Distrito Federal encaminharam
ontem à CPI dos Correios pedido para que seja realizada acareação entre o
deputado Roberto Jefferson (PTB) e o lobista Arlindo Molina Gonçalves. Os
representantes do Ministério Público querem esclarecer suposta chantagem sofrida
pelo parlamentar.
Segundo Jefferson, Molina o procurou para ameaçá-lo
com a informação de que teria “bomba” contra parlamentares e aliados do PTB — o
flagrante de corrupção em que o ex-chefe do Departamento de Contratação dos
Correios Maurício Marinho recebe R$ 3 mil.
e Jairo sumiu... por
Mariana Mazza
Um dos personagens mais aguardados por muitos parlamentares, Jairo
Martins de Souza não compareceu à sessão da CPI dos Correios onde iria depor
ontem. O argumento para a ausência foi a falta de uma convocação oficial por
parte da CPI. Jairo teria ficado sabendo que havia sido escalado para depor por
meio da imprensa.
Ex-agente da Agência Brasilieira de Inteligência
(Abin), Jairo foi o responsável por montar o equipamento usado por Joel dos
Santos Filho e por João Carlos Mancuso para gravar o ex-chefe do Departamento de
Contratações dos Correios Maurício Marinho aceitando propina de R$ 3 mil e
revelando um esquema de corrupção montado dentro da Empresa Brasileira de
Correios e Telégrafos (ECT).
Por fax, o advogado de Jairo informou que
seu cliente ficou sabendo da convocação “por meios de comunicação” e, por estar
distante da capital federal, não poderia comparecer. O araponga mora em Brasília
mas encontra-se em Mato Grosso do Sul. Pelas informações enviadas à CPI, Jairo
está fazendo a mudança de sua família de Campo Grande para Brasília. Também foi
solicitado que a convocação seja realizada com 48 horas de antecedência.
O relator da CPI, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR) achou 48 horas
muito tempo para que um investigado responda a uma convocação. “Acredito que o
prazo aceitável é de 24 horas, que é o normal em juízo”, declarou. Pelo
raciocínio de Serraglio, caso fique comprovado que a CPI emitiu a convocação
oficial antes das 9h de segunda-feira, Jairo será conduzido para depor
sumariamente pela Polícia Federal.
O presidente da CPI, Delcídio Amaral
(PT-MS), garantiu que os ofícios de convocação para todos as pessoas que seriam
ouvidas nesta semana foram enviados. “Eu soltei os ofícios na sexta-feira. Deu
tempo suficiente.” Por meio de seu advogado, Jairo colocou-se à disposição
para depor tão logo seja reconvocado. Ainda não há perspectiva de quando o
araponga irá apresentar seu depoimento aos parlamentares da comissão. (MM))
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