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Fernanda Karina e Marcos Valério devem ficar frente a frente
na próxima semana logo após o depoimento dos dois na comissão que investiga um
suposto esquema de corrupção dos Correios
A sessão de próxima quarta-feira na CPI dos
Correios tem todos os ingredientes para ser a mais importante até agora nas
investigações sobre os escândalos de corrupção na estatal e da suposta
distribuição de mesadas por parte do PT aos congressistas. De um lado estará
Marcos Valério de Souza, publicitário mineiro apontado como o principal
distribuidor do mensalão pelos envolvidos no caso. Do outro, a ex-secretária do
publicitário Fernanda Karina Somaggio.
Um acordo informal feito entre a oposição e os parlamentares da base do governo
deverá garantir que a acareação dos dois envolvidos seja feita na próxima
semana. Ontem, os integrantes da CPI aprovaram a agenda de depoimentos para as
duas primeiras semanas de julho. Oficialmente, Valério e Karina serão ouvidos,
primeiramente em separado, na quarta-feira, a partir das 9h.
Mas existe consenso em torno da necessidade de acareação o mais rápido
possível. “Acredito que isso acabará acontecendo e se for no mesmo dia, ótimo.
Vai agilizar o nosso trabalho”, avaliou o presidente da CPI, senador Delcídio
Amaral (PT-MS). “Nós precisamos de depoimentos que tragam resultado e não
apenas um faz-de-conta”, defende o deputado Onyx Lorenzoni (PFL-RS), em favor
da acareação.
Para que tudo dê certo, a CPI deverá providenciar sua autoconvocação, uma vez
que o Congresso Nacional entra em recesso a partir de sexta-feira, dia 1º de
julho. Os parlamentares da comissão aprovaram dois requerimentos para garantir
a continuidade dos trabalhos no próximo mês.
Recesso
Os presidentes da Câmara dos Deputados, Severino Cavalcanti (PP-PE), e do
Senado Federal, RENAN CALHEIROS (PMDB-AL), devem confirmar o
funcionamento da CPI durante o recesso a pedido dos parlamentares. Confiantes
de que está tudo acertado para a convocação em julho, a comissão aprovou ontem
a agenda para as próximas duas semanas, com depoimentos nas terças e
quartas-feiras.
Para os parlamentares, colocar Valério e Karina frente a frente permitirá que
muitas contradições entre os depoimentos prestados até agora sejam
esclarecidas. A ex-secretária tem batido forte no publicitário, acusando-o de
ser o atravessador do dinheiro do mensalão. Ela diz ter visto malas cheias de
dinheiro circulando pela SMPB Comunicação, uma das duas agências de publicidade
controladas por Valério, e defende que a relação do publicitário com o
tesoureiro do PT, Delúbio Soares, era bastante estreita. Marcos Valério nega
tudo e, antes mesmo das denúncias da ex-funcionária virem à tona, já a
processava na Justiça por extorsão.
Grande parte das declarações de Karina sobre os
encontros de Valério com membros do PT está registrada na agenda que a
secretária usava na SMPB. As anotações estão de posse da Polícia Federal. Os
parlamentares da CPI dos Correios, que só tomaram conhecimento do teor da
agenda pela imprensa, solicitaram ontem uma cópia à PF para analisarem antes de
interrogá-la na próxima semana.
As acusações de Valério de que Karina o chantageou fizeram com que os membros
da CPI levantassem a hipótese de quebrar o sigilo bancário, fiscal e telefônico
da ex-secretária. Desde janeiro deste ano, o publicitário processa a
ex-funcionária por extorsão. E, depois das denúncias feitas por Karina
envolvendo a SMPB, o advogado de Valério solicitou à Justiça mineira a inclusão
no processo da acusação de fraude qualificada.
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